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Nem todas as experiências são individuais

Ilustração em estilo de história em quadrinhos com cinco profissionais reunidos em um coffee break durante um evento corporativo sobre "Letramento em IA Generativa". Em destaque, um homem negro de camiseta roxa e um homem branco de camisa branca conversam. O homem branco, expressando surpresa com os olhos arregalados, diz em um balão: "Putz, eu passei por isso também". Ao fundo, três profissionais sorriem e escutam atentamente. A imagem ilustra perfeitamente o conceito de networking e compartilhamento de vivências discutido no artigo, evidenciando que nem todas as experiências são individuais.

Se você dá “murro em ponta de faca” para solucionar um problema, saiba que está mais do que na hora de entender que nem todas as experiências são individuais.

Essa premissa está no manifesto genai, pois eu me identifico como um teimoso clássico. Assim sendo, falo com propriedade que é importante respirar e olhar para fora, a fim de identificar se tem maneiras diferentes de resolver um problema.

No mundo da IA generativa, isso fica ainda mais nítido, pois tentar reinventar a roda o tempo todo pode ser um desperdício de tempo, energia, tokens e, principalmente, de oportunidades de aprender coisas novas.

Neste artigo, a ideia não é puxar a orelha de ninguém, mas mostrar que tem situações que estamos corroendo a produtividade à toa. Confira!

Será mesmo que nem todas as experiências são individuais?

Um dos significados da palavra “experiência”, de acordo com o Dicionário Michaelis, é que se trata do conhecimento das coisas pela prática ou observação.

Provavelmente você já pensou um dia “Isso só acontece comigo”. Mas pode ter certeza que em algum lugar alguém pode ter passado por um problema muito próximo ou até igual. 

O psicólogo Jerome Bruner, em seus estudos, destacou a importância dos aspectos culturais e ambientais na resposta cognitiva.

Bruner considerou a importância do ensino por resolução de problemas. O método baseado em descobertas pode ajudar a refletirmos e criarmos hipóteses, de modo a potencializar nossas capacidades intelectuais.

Se o ensino por resolução de problemas nos convida a descobrir ativamente, isso não acontece no vácuo. Fazemos isso em ambientes sociais, com outras pessoas.

E essa reflexão fica perfeita ao lermos sobre a teoria da aprendizagem social, de Albert Bandura. Adquirimos novos comportamentos, atitudes e reações imitando os outros, observando um modelo de mundo.

Inclusive, dá para fazermos um paralelo interessante com o uso de IAs generativas, afinal, as IAs são muito boas em imitar. A inteligência artificial evolui a partir do nosso contexto.

Levando em conta que aprendemos observando, imitando e compartilhando vivências, então o conhecimento é como bloquinhos de LEGO que a gente usa para montar algo novo.

Nesse cenário, é difícil dizer que nossas experiências são totalmente individuais, porque elas sempre carregam um pouco de tudo que foi criado e está sendo criado.

Por que tentar reinventar a roda pode custar tempo e dinheiro?

Nem todas as experiências são individuais: Ilustração estilo cartoon com dois personagens em uma garagem. Uma jovem com cabelo afro, jaqueta vermelha e tênis Converse aponta para um homem agachado, que segura um maço de madeira enquanto monta uma roda artesanal no chão. Ao lado, há pregos e uma trena. A fala em destaque: "Por que você tá querendo reinventar a roda?". A cena ilustra o desperdício ao ignorar soluções já testadas, reforçando os riscos do débito técnico com IA generativa e vibe coding.
Imagem gerada no ChatGPT via modelo gpt-image-2.0.

Vamos imaginar que você gostaria de fazer um aplicativo no modo “vibe coding” em uma dessas plataformas especializadas no assunto. 

No começo fica muito legal o resultado. Porém, com o tempo, identificamos que surge um certo “débito técnico”, como o professor Sandeco Macedo menciona em seu livro “Engenharia de software e agentes inteligentes”.

Ou seja, pode aparecer algum erro no meio do caminho, a gente se perder e subscrever o código. Entenda que o que foi desenvolvido com “vibe coding” não é perdido, mas pode ser retrabalhado usando boas práticas da engenharia de software. 

Tentarmos insistir em soluções que esbarrem em débito técnico com IA generativa é um desperdício de tempo e dinheiro. E não adianta reclamarmos pelo token derramado. 

Tentar reinventar a roda com IA generativa custa caro porque gastamos tempo demais tateando no escuro, em vez de aproveitar o que já foi testado e documentado por outras pessoas.

Quando falo que todo prompt deve ser melhorado, reforço a importância de identificar padrões e aprender com a comunidade sai muito mais barato do que insistir em começar do zero o tempo inteiro.

De que maneira o network pode ajudar no repertório de vida?

Quando se fala de network, cada conversa, dúvida, hipótese ou compartilhamento traz um jeito diferente de enxergarmos o mesmo problema.

É no network que vemos que nem todas as experiências são individuais, pois percebemos que muitas tentativas dos outros podem servir de boas ideias. 

Várias vezes já tive excelentes conversas em grupos do WhatsApp sobre estilos de prompts, frameworks, códigos, notícias e assim por diante. 

E quando as interações são mais interessadas do que interesseiras, um dia você pede ajuda e, em outro momento, você pode contribuir com a sua experiência. 

Essa reciprocidade abre caminhos profissionais, pois muda nosso jeito de pensar, tomar decisões e lidar com frustrações.

Qual é o passo a passo para reconhecer e aplicar padrões?

Bom, tudo até agora parece muito bonito, mas eu gosto de trazer as pessoas para a realidade e apontar possíveis caminhos práticos. 

Portanto, trago algumas dicas que podem contribuir na sua jornada para reconhecer padrões e melhorar sua produtividade com IA generativa como ferramenta de cocriação.

Documente seus resultados

Documente todo erro e acerto que tiver em uma tarefa com IA generativa. Você pode utilizar para isso o Google Docs, Obsidian, Notion, Tolaria etc. 

Esse hábito de documentar pode ajudar demais a observar possíveis inconsistências no seu modo de trabalho. Além disso, sua documentação pode virar um excelente contexto para alimentar novas conversas com as IAs generativas.

Ilustração estilo cartoon com dois personagens humanoides sentados em um restaurante sofisticado. O personagem da esquerda tem o logotipo do Gemini como cabeça, usa terno azul e segura um cardápio, apontando para ele enquanto diz: "Esse arquivo aqui todo formatadinho em markdown parece apetitoso." O da direita tem o logotipo do ChatGPT como cabeça e observa atentamente. A cena metaforiza a importância de documentar resultados em markdown para gerar contexto de qualidade e alimentar novas conversas com IAs generativas.
Imagem gerada no ChatGPT via modelo gpt-image-2.0.

Busque referências

O aprendizado deve ser contínuo e, buscando referências, conseguimos ajustar tarefas que pareciam completamente impossíveis. 

Faça cursos, participe de mentorias, assista palestras, leia livros, entre outras formas de obter conhecimento em tecnologia e outras áreas.

Teste o que foi validado

Viu uma técnica de prompt que pode fazer sentido para um problema que está quebrando a cabeça? Teste e anote os possíveis resultados a partir dessa fórmula pronta. 

Mas teste sempre com critério para evitar ansiedade com tantas novidades. Foque no que realmente faz sentido e troque ideias com pessoas que já passaram por esse caminho.

Adapte para o seu contexto

Depois de testar técnicas, frameworks e fluxos prontos, adapte tudo para o seu contexto. Nosso repertório de vida pode potencializar demais as tarefas.

Coloque sua forma de pensar no processo, ajuste o vocabulário, o nível de detalhe, o tom de voz, o tipo de entrega e outros detalhes que façam mais sentido para a sua rotina.

Nem todas as experiências são individuais e isso é uma dádiva. Significa que você não precisa atravessar de maneira solitária cada desafio, porque o momento “Eureka” de outros pode alimentar o seu momento “Eureka” no futuro. 

Se esse texto fez sentido para o seu momento de vida, aproveite que está aqui e entenda que o óbvio também precisa ser dito

2 comentários em “Nem todas as experiências são individuais”

  1. Pingback: Humanize as IAs generativas com seu repertório de vida

  2. Pingback: Manifesto GENAI: tenha calma e estude sempre

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