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A novidade de hoje nem sempre é útil de fato

Ilustração no estilo cartoon de um jovem visivelmente cansado, com olheiras pronunciadas e blusa azul, sentado à mesa às 3h da manhã em frente a um MacBook Apple. Um balão de fala diz: "Deixa eu testar só mais essa novidade antes de dormir.". Ao fundo, cartazes com "Foco, Disciplina, Execução" e lista de produtividade. A cena representa o comportamento de FOMO na Era da IA generativa, reforçando a necessidade de maturidade e curadoria crítica diante do hype constante de novas ferramentas.

Você entrou no seu grupo do WhatsApp e aí alguém comentou: “Testaram a IA tal da empresa tal? Lançaram novidades”. Sinto lhe dizer, mas a novidade de hoje nem sempre é útil. 

Tem muito burburinho nas redes sociais, no YouTube, em eventos e conversas do dia a dia sobre as milhares de novidades na Era da IA generativa. Só que nem tudo usaremos de fato no trabalho ou na vida pessoal.

Por isso o lema do Manifesto Genai, que publiquei há um tempo, é “Tenha calma e estude sempre”. Não adianta nos desesperarmos e acharmos que vamos ficar obsoletos instantaneamente. 

Nossas dores reais não seguem o mesmo ritmo dos diversos anúncios semanais. A ideia deste post é justamente mostrar que precisamos ponderar algumas escolhas. Confira!

Por que a área de IA generativa tem tantas novidades?

Uma coisa que sempre comento em conversas sobre IA generativa é a importância de visualizar “o caminho do dinheiro”. Se há muitas novidades é porque as Big Techs perceberam que esse negócio de IA generativa dá dinheiro. 

A Anthropic, por exemplo, empresa que controla a IA generativa Claude, divulgou em maio deste ano que levantou 65 bilhões de dólares em uma nova rodada de financiamento

É inevitável notarmos que há um forte interesse comercial, competitividade e pressão de mercado para ter inovações que superem as anteriores. O famoso “estado da arte”. 

Outro fator que explica ter tantas novidades é que o público, em sua maioria, curte usar as IAs generativas e isso gera demanda. Percebe-se que há um interesse em proporções nunca antes vistas.

Inclusive, segundo o AI Index 2026, da Universidade de Stanford, os brasileiros já usam e confiam nas IAs no trabalho mais do que a média global, que é de 58% para ‘usam’ e 53% para ‘confiam’.

Gráfico de dispersão intitulado "Trust in AI and intentional use at work, 2025", do relatório AI Index 2026 da Universidade de Stanford. O eixo X representa confiança em IA e o eixo Y, uso intencional no trabalho. O Brasil aparece destacado por uma seta vermelha, posicionado acima da média global em uso de IA generativa. O dado reforça que brasileiros adotam e confiam em IA no trabalho em proporções que superam países desenvolvidos como Estados Unidos e Alemanha.
Gráfico presente no AI Index 2026 de Stanford, no setor “Global AI Use in the Workplace”.

Toda essa aderência massiva acontece também porque a IA generativa se encaixa no conceito de Tecnologia de Propósito Geral (General Purpose Technology). 

Nessa premissa, lembro que o professor Diogo Cortiz reforça essa ideia ao dizer: 

Com a IA, a gente está criando outra tecnologia de propósito geral. Porque ela entra e se espalha muito rapidamente por todos os setores da sociedade; ela tem a característica de melhoria contínua e constante, e às vezes rápida e acelerada; além de habilitar as próximas inovações.

Ou seja, estamos diante de uma transformação que não serve para uma única tarefa isolada. É uma inovação com o mesmo potencial de impacto da eletricidade e da internet.

Por ser maleável e adaptável a quase qualquer contexto, há uma grande demanda por novas aplicações. Se pode servir para tudo, sentimos dependência e ansiedade pela próxima carga de dopamina.

O que é FOMO, FOBO e JOMO e como eles nos afetam na Era da IA generativa?

Toda essa enxurrada diária de atualizações atuam diretamente na nossa saúde mental. No contexto da IA generativa, notamos alguns comportamentos: FOMO, FOBO e JOMO.

O FOMO (Fear of Missing Out) é o medo de ficar de fora de alguma novidade. A pessoa demonstra ansiedade ao ficar muito tempo longe da tecnologia.

Aquela curiosidade e angústia que dá quando um influenciador publica um vídeo sobre alguma novidade, pode ser o FOMO agindo.

Esse comportamento faz com que a gente sinta que, se não parar tudo o que está fazendo para testar aquela nova ferramenta, nosso currículo vai se tornar item de museu rapidamente.

Já o FOBO (Fear of Better Options), pode ser considerado a consequência do paradoxo da escolha, cujo ato de decidir uma opção diante de várias tende a ser um martírio. 

O FOBO ativa o medo de perder algo melhor no futuro por conta de uma decisão do presente. Com isso, desperdiçamos tempo, energia, dinheiro e produtividade.

A minha ideia com este texto é ressaltar o JOMO (Joy of Missing Out), que é a escolha consciente e tranquila para filtrar todo o ruído de mercado. 

É ter maturidade de saber que a novidade de hoje nem sempre é útil, pois não necessariamente resolve os nossos problemas atuais e só gera hype.

Ilustração no estilo cartoon de três pessoas diante de uma vitrine de tech store exibindo mascotes de ferramentas de IA generativa como Gemini, Claude, ChatGPT e Perplexity, sob o letreiro "As melhores IAs do mundo nesta semana". Cada personagem representa um comportamento distinto: o homem à esquerda exibe FOMO ao querer todas as novidades, a mulher ao centro demonstra FOBO diante do excesso de opções, e o homem à direita pratica JOMO ao concluir que não precisa de nenhuma delas ainda. Ou seja, uma ilustração que representa bem a premissa do post de que a novidade de hoje nem sempre é útil.
Imagem gerada no ChatGPT via modelo gpt-image-2.0.

Mas o que é esse tal de hype afinal?

Entendo o hype como uma tendência que costuma “dar o que falar”. Faz com que todo mundo poste e comente como se aquela novidade fosse mudar tudo imediatamente. 

O problema é que, muitas vezes, esse entusiasmo coletivo não está conectado com resultados concretos, mas com promessa, marketing e especulação. 

É nesse contexto que a novidade de hoje nem sempre é útil, pois ela pode ser só mais um capítulo do espetáculo midiático, sem impacto real no nosso dia a dia.

O hype também distorce nossa percepção de prioridade. De repente, o que é novo parece mais relevante do que aquilo que já funcionava bem há meses. 

Além disso, o hype rouba espaço do nosso repertório de vida. Em vez de observarmos contexto, dores e processos reais, organizamos a rotina em torno do que o mercado está gritando mais alto. 

A experimentação deve ter um foco prático e não algo só para ocupar tempo. Quando passamos a sentir que precisamos ter opinião sobre tudo, testar tudo, dominar tudo, isso não parece ser saudável. 

Como diferenciar o que pode ser útil?

Antes de sair digitando seus dados bancários em cada versão PRO de IAs generativas que aparecem no seu feed, você precisa construir um mecanismo de curadoria pessoal.

Para proteger a sua atenção e garantir que a IA generativa seja uma parceira real de cocriação, trago algumas dicas para fazer um filtro crítico do que é útil.

Mapeie os seus problemas atuais

Decomponha os problemas em partes menores e identifique quais IAs generativas podem ajudar a resolver a situação, mas sem afobação e pensando passo a passo. 

Esse mapeamento gera maturidade para definir o que pode contribuir para sua produtividade e o que seria só ocupação. Se a ferramenta não te ajuda nos problemas reais, então talvez você não seja o público daquela novidade. 

Inclusive, utilizar a Matriz de Eisenhower para definir o que é importante e urgente pode ser uma excelente dica nesse processo de mapeamento dos problemas.

Leia as documentações oficiais para entender os conceitos

Posts em redes sociais e vídeos no YouTube são, na maioria das vezes, camadas de interpretação sobre o que a ferramenta realmente faz. 

A documentação oficial é o ponto de partida mais rico, pois descreve capacidades reais, limitações, casos de uso previstos e, frequentemente, o que a ferramenta não faz. 

Ler a documentação também separa o que é funcionalidade consolidada do que ainda está em fase experimental, uma distinção que o hype tende a ignorar completamente.

Converse com pessoas que experimentaram a novidade

Saiu uma novidade, troca uma ideia com quem você confia para saber se vale a pena dar atenção para a atualização ou se é só histeria mesmo. 

Pergunte especificamente o que funcionou e o que não funcionou. Inevitavelmente, pode perceber que nem todas as experiências são individuais.

Nessas interações genuínas, você pode até considerar a possibilidade de novos produtos e/ou serviços que façam sentido com sua linha de raciocínio.

Compare a novidade com o que usa atualmente

Se você já tem IAs generativas que te ajudam a gerar textos, imagens, vídeos, áudios e códigos, avalie se a novidade gera uma mudança significativa na sua rotina. 

Em muitas circunstâncias, o que usamos atualmente já resolve a maior parte dos problemas. Então parar a nossa produtividade para testar algo novo é só desperdício de tempo. 

Reflita se o que é novo gera um aprendizado realmente, indicando uma adaptação. Se não for algo relevante, deixe no seu radar para testar quando for o momento certo.

A Era da IA generativa exige mais discernimento do que frenesi. Ao adotar o JOMO e filtrar o ruído do mercado, focamos no que realmente entrega valor. A novidade de hoje nem sempre é útil e o essencial é manter a calma.

Se você quer saber de novidades do ecossistema Gemini, por exemplo, mas sempre com foco em projetos práticos, acesse a mentoria IA News agora mesmo!

3 comentários em “A novidade de hoje nem sempre é útil de fato”

  1. Pingback: Manifesto GENAI: tenha calma e estude sempre

    1. Imagina. Eu que agradeço por prestigiar. Tentei explicar a minha visão sobre o assunto, pois esse FOMO todo me incomoda bastante. Há muito ruído ainda no mercado de trabalho.

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