A gente abre o LinkedIn e vê uma enxurrada de informações sobre IA generativa, mas nem todo mundo se sente à vontade para experimentar novas tecnologias. Por isso criei o manifesto GENAI.
Inclusive, tenho percebido cada dia mais a importância do letramento em IA, pois vejo que há pessoas que não sabem o básico. Como funcionam os modelos generativos, alucinações, vieses, prompts, o que é ChatGPT, Gemini, Claude, Deepseek e tantas outras interfaces de chat.
Assim sendo, eu estruturei este manifesto acróstico com 23 princípios que norteiam a minha maneira de usar IA generativa. Acompanhe a leitura e confira!
O que é este manifesto GENAI e por que ele existe?
A intenção do acróstico “Tenha calma e estude sempre” é reduzir a ansiedade coletiva criada pelo excesso de novidades em IA generativa. Chama-se “Manifesto GENAI”, sendo “GENAI” a abreviação de Generative AI (IA generativa).
Além disso, tenho o objetivo de demonstrar que o foco no uso dessa área é no desenvolvimento de repertório para ampliar conhecimentos, aplicar o que se sabe na prática e ter atitude crítica para analisar os resultados.
Levando em consideração que ter um propósito de vida é um dos princípios de produtividade, acredito que o propósito humano ao usar IA é de parceria.
Não tem mais como fugir das IAs generativas. Muitas empresas querem que usemos o tempo todo. Portanto, este manifesto é um resumo das minhas percepções sobre o tema.
Quais são os 23 princípios deste manifesto?
Chamo de manifesto acróstico, pois defini 23 princípios de bom uso das IA generativas, em que a primeira letra de cada item forma o lema “Tenha calma e estude sempre”.
Explicarei abaixo meu entendimento a respeito de cada aspecto, focando em pessoas que se sentem desatualizadas o tempo todo, querendo fazer algo com IA, mas sem saber muito bem o quê.
1. Todo prompt deve ser melhorado a qualquer momento
Os nossos prompts não são “mandamentos” incrustados em pedra. Podemos e devemos aperfeiçoar as instruções para IAs generativas, afinal nossa visão de mundo sempre está mudando.
Levando em conta que as big techs estão numa corrida desenfreada para entregar modelos generativos cada vez melhores, ajustar os prompts é uma maneira de se atualizar.
2. Entenda que o óbvio também precisa ser dito
Aquilo que parece muito óbvio para a gente, não necessariamente é óbvio para uma IA. Os modelos generativos não foram treinados com o que se passa na nossa cabeça.
As IAs generativas não adivinham pensamento ainda. Então precisamos explicar o que queremos de resultado com o prompt fornecido.
3. Nem todas as experiências são individuais
Sabe aquele problema que você tá quebrando a cabeça para resolver? Pesquise se outras pessoas passaram pela mesma situação e aprenda com os erros delas.
Você não precisa ficar reinventando a roda para lidar com tecnologia. Muitas das vezes é possível reconhecer padrões de mercado e aplicá-los nas suas tarefas de maneira orgânica.
4. Humanize as IAs generativas com seu repertório de vida

Tem um post do Wezeck Nogueira, Head de Marketing, que diz que a criatividade é o resultado dos filmes, livros, músicas que consumimos, bem como das nossas vivências e interações cotidianas.
Pois bem, todo esse repertório rico que “farmamos” durante a vida é excelente para gerarmos textos mais humanizados, imagens mais realistas, áudios com personalidade, vídeos com boas referências, entre outros conteúdos.
5. A novidade de hoje nem sempre é útil de fato
Depois de um tempo estudando IA generativa, eu comecei a me perguntar se preciso mesmo experimentar todas as novidades possíveis nessa área. Por isso mesmo que o manifesto GENAI carrega o lema “Tenha calma e estude sempre”.
Nem tudo que é lançado vai ser útil para os nossos problemas reais. Não precisamos ficar no desespero de testar tudo, pois isso só nos desfoca do que realmente é importante: resolver problemas de agora.
6. Contexto é o que alimenta a comunicação com IAs generativas
Há um excelente vídeo do canal do professor Sandeco Macedo que já adianta muito sobre esse assunto. Engenharia de contexto atua em parceria com engenharia de prompt.
Fornecer um bom contexto para os modelos de linguagem é uma boa prática de proporcionar o conhecimento que a IA generativa precisa para entender melhor a intenção dos nossos prompts.
7. A teoria é incrível, mas aplique isso em projetos práticos
É formidável fazermos cursos diversos, aprofundarmos em mentorias, lermos livros, consumirmos artigos científicos etc. Mas o que a gente está fazendo com todo esse conhecimento acumulado?
Transforme esse conhecimento em projetos práticos de fato. Crie resultados com IA generativa que podem ser replicados por outras pessoas e ensine o que aprendeu com esse processo.
8. Lembre-se de documentar seus resultados
Documentar o que fazemos com IA generativa é uma maneira de fragmentarmos esses resultados em novas possibilidades, bem como criar métodos que adiantam a resolução de problemas futuros.
Se você tem um prompt que gosta muito e que otimiza sua rotina de trabalho, por exemplo, documente isso em um arquivo de texto para poder servir de base em outros projetos.
9. Melhor decompor o problema em partes menores

Imaginando que você tenha um problema muito complexo para resolver, não precisa evitá-lo. Divida esse problema em pequenos “probleminhas” como se fosse um quebra-cabeça.
É um bom princípio usado no pensamento computacional. Olhando o problema em uma sequência de passos a fazer, você consegue construir prompts, sistemas agênticos e softwares diversos muito melhores.
10. A simplicidade pode ser a solução em muitas situações
Antes de sair gastando por aí com versões PRO de IAs generativas, torna-se relevante entender o que você quer fazer com a IA de fato.
Tem situações que vejo em vários grupos de WhatsApp que poderiam ser resolvidas de maneira muito simples. Abstraia toda a complexidade, até mesmo para encarar seus projetos de uma maneira mais entendível.
11. Encontre a documentação oficial do que quer aprender
Isso já me ajudou demais no desenvolvimento de planilhas personalizadas, por exemplo. Muitas empresas de tecnologia têm artigos, cursos e documentações extensas sobre seus produtos.
Leia o que é publicado oficialmente pelas empresas, até mesmo para ter a base de como lidar com as IAs, os modelos generativos, as ferramentas e assim por diante.
12. Estruturar o formato de saída é um exercício de consistência
Quando você sabe o que quer de resultado a partir do seu prompt, fica muito mais rápido solicitar algo no chat. Só que isso vem com o tempo.
Quando você define bem a maneira como será a saída, as IAs generativas compreendem melhor a tarefa. Um texto, por exemplo, pode ter formato de e-mail, crônica, dissertação, poesia, blogpost, questionário etc.
13. Sem ansiedade para não gastar tempo e dinheiro
Já vi muita gente em grupos falando que gastou todos os créditos de IA para fazer um código, uma imagem, um vídeo e demais formatos. Para um pouco e organiza esse projeto passo a passo.
Quando o projeto é pensado com começo, meio e fim, a nossa percepção de tempo e dinheiro investido é diferente e sabemos direcionar nossos esforços para o que realmente vale a pena.
14. Tenha foco no que quer comunicar, e não em detalhes
Percebo isso muito na geração de imagens com IA generativa, por exemplo. Vejo gente que quer se apegar aos mínimos detalhes de uma imagem, porque acha que ela ainda não tá perfeita.
Tente se perguntar se o que você quer comunicar com aquele resultado está coerente. Se está comunicando de maneira adequada, os detalhes são coisas que podem ser relevadas.
15. Utilize a IA generativa como ferramenta de cocriação
O Léo Cândido, Top Voice no LinkedIn e membro do Google AI Community, foi muito feliz ao mencionar, em seu livro, que as IAs generativas para ele são como um “Sidekick”, ou seja, ferramentas para ajudar na cocriação de tarefas.
Eu concordo plenamente com essa premissa e fiz questão de torná-la um dos princípios deste manifesto GENAI, porque as IAs são muito úteis para brainstorming, geração de artefatos, resumos, pesquisas prévias, entre outras funcionalidades.
16. Diversifique as IAs generativas para evitar dependência
Já vi isso ocorrer com certa frequência. Algumas pessoas focam em uma empresa e, quando o sistema entra em estado de lentidão, o desespero bate por achar que vai atrasar o trabalho.
Não precisa usar milhares de IAs generativas, mas mantenha o uso combinado de algumas para não ficar refém e nem dependente do que uma ou outra empresa entrega.
17. Enfatize o que é inegociável e crie regras explícitas

O estudo sobre engenharia de prompt só se torna substancial quando se aprende sobre guardrails, que são limites que colocamos para minimizar alucinações das IAs generativas.
Então defina bem quais serão as regras que a IA deve obedecer ao executar a tarefa. Essa é uma boa prática até mesmo para tornar os assistentes mais seguros, bem como destacar partes de maior importância no prompt.
18. Saiba que a responsabilidade é nossa ao gerar algo com IA
No relatório da Veriff sobre detecção de deepfakes no Brasil em 2026, há um dado de que 87% dos brasileiros citam fraude pessoal e golpes de personificação como suas principais preocupações.
Levando isso em conta, temos que ter um uso ético da IA generativa. Dados sensíveis não podem ser colocados nas interfaces e é responsabilidade nossa o teor do conteúdo que geramos.
19. Erros são oportunidades de recalcular a rota
Algo que aprendi com programação é saber lidar com os erros, pois eles vão existir. Um erro ao solicitar algo para IA generativa pode ser um aviso de que deve rever seus processos.
É importante saber lidar com as frustrações. E aquele clichê de que é “errando que se aprende” é a mais pura verdade quando se trata de tecnologia. Por isso faz todo sentido ser um princípio no manifesto GENAI.
20. Mantenha a criatividade contigo e delegue o que é chato
Se o que faz rotineiramente é repetitivo, você está desperdiçando tempo. Seria muito mais proveitoso destinar o seu tempo com tarefas que estimulem a sua criatividade..
Aquilo que é mecânico demais, você pode delegar essa tarefa para a IA generativa. Isso vai te auxiliar a poupar tempo e ter mais disposição para pensar em projetos relevantes.
21. Prompt estruturado ajuda muito no entendimento
Essa é uma boa prática de prompting que faço há muito tempo. Quando você modulariza e organiza seu prompt em seções, fica mais fácil fazer manutenção e obter bons resultados.
Geralmente meus prompts mais complexos são divididos em 5 partes:
- persona – como o modelo generativo deve atuar;
- contexto – informações relevantes sobre a tarefa;
- tarefa – instruções em maneira de passo a passo para resolver o problema;
- formato – como deve ser a saída no chat;
- regras – condições que quero enfatizar ou proibir.
22. Revise os resultados gerados por IA generativa
Se você é uma pessoa atenta, provavelmente já percebeu nas interfaces das IAs generativas alguma mensagem de que elas podem cometer erros.
Pois bem, principalmente ao usar ferramentas de web search e deep research, verifique se as informações estão coerentes, até mesmo para evitar disseminar fake news.
23. Exemplos são bons para mostrar o que quer

Uma maneira de fixar bem o formato é fornecer dois ou mais exemplos de saída. Isso reduz consideravelmente qualquer ambiguidade na tarefa.
Quando você coloca exemplos de como deve ser o resultado esperado, isso pode evitar retrabalho e chats intermináveis. É como se a gente fosse um técnico de futebol explicando como deve ser a atuação da IA generativa em campo.
O que estamos fazendo com o tempo que a IA generativa nos proporciona?
Essa é uma reflexão que eu não poderia deixar de mencionar neste manifesto GENAI. É algo que já notei em conversas, em palestras, em podcasts e em várias outras oportunidades.
O tempo que a IA generativa nos devolve é, simultaneamente, conquistado e perdido. Um paradoxo que revela menos sobre a tecnologia e mais sobre a condição humana dentro das relações de trabalho.
Usamos o tempo dado pelas IAs para pegarmos mais trabalho, afinal, o que se fazia em uma semana pode se fazer em um dia e o que se fazia em 8 horas pode se fazer em 1 hora.
Será que a cada nova tecnologia que promete nos devolver tempo, vamos continuar alocando esse tempo com mais trabalho ou vamos equilibrar vida pessoal e vida profissional?
Não tenho fórmulas mágicas de produtividade para essa questão. Contudo, acho necessário o debate para refletirmos sobre o nosso tempo. Lembrando que a percepção de tempo é diferente para cada pessoa.
Para concluir, a ideia deste manifesto GENAI é fomentar reflexões sobre boas práticas para não ficarmos perdidos e paralisados com a IA generativa, mas sim adquirirmos novas competências.
Esse manifesto fez sentido para você? Se sim, aproveite a oportunidade e compartilhe o texto com outras pessoas ainda hoje.

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